Assisti o filme A Rede Social duas vezes, e me fascinei pela história tão real e pungente por trás da construção de algo que não existe fisicamente, um império de fundações virtuais, conectando pessoas. Há quem diga que as redes sociais tornaram relações de amizades descartáveis, é sempre lugar comum ouvir de pessoas mais velhas que não importa o número de seguidores ou pessoas que te adicionam, amigos a gente conta nos dedos. Contar nos dedos é e sempre vai ser a mais rústica e confiável matemática (isso e ficar desenhando tracinhos ou pauzinhos nas provas de matemática para contar, quando não sabemos como fazer o cálculo). As pessoas falam do amor como um sentimento tão forte como se por tão abstrato e grandioso, devesse ser representado apenas fisicamente, como se um sentimento não pudesse ser expressado através de bits, códigos binários ou aquela cantada no msn. Para mim, o mais irônico disse tudo é que o amor é por natureza, virtual. Não me entenda errado… Não estou falando de duas pessoas teclando em algum chat tarde da noite, falo de um sentimento sem uma representação exata, mas que se faz presente, paradoxalmente. Insistimos em nos enganar com aquela velha história de que amamos com o coração, como se a mente, com toda sua (i)rracionalidade acabasse por limitá-lo. Insistimos em abraçar essa abstração convicta, como se sentir o amor justificasse qualquer possibilidade de entendimento.
Os antigos acreditavam que o coração é que mandava nas pessoas pois quando começaram a investigar o interior do corpo humano, perceberam que a maioria das ligações acabavam levando para este órgão. Desde os primórdios seu histórico deliciosamente traiçoeiro nos fazia percorrer caminhos pouco confiáveis na tentaviva de chegar a algum lugar. Com o tempo, o cérebro ganhou o reconhecimento de crítica, e o coração, se afirmou no popular. O falso conceito de nos dividir entre pólos de pensamento e de sentimento é tão ideal quanto absurda. Até onde vai ciência e folclore são tênues fronteiras, mas sabe-se que os gregos foram os primeiros a estudar o timo. uma glândula localizada no interior da caixa toráxica, que seria responsável por processar a serotonina, tão falada hoje em dia,ironicamente, a representação física do sentimento de felicidade. Com isso, de certa forma, o “coração” retoma o posto de órgão do amor.
Cada vez mais as pesquisas procuram achar um padrão nos comportamentos amorosos. Mais uma vez uma possibilidade de uma abstração tão intensa que só poderia existir como uma ciência exata. Como achar que o horóscopo influência sua vida. E depois se dar conta de que todo o movimento do universo influencia sua vida, não com paixões ou sorte no trabalho, mas coisas menores, como a contagem do tempo e a gravidade. Mas existirá esse padrão ? Ciência sempre procurando controvérsias para si mesma. Acreditar no padrão, de certa forma é acreditar em um destino, com as pessoas predeterminadas entre si. Tá vendo só ? Achar que o seu príncipe encantado no cavalo branco ou a mulher ideal vai aparecer não é Cinderela, é aquela sua velha apostila de Física ou Química mesmo. Como agora toda a pieguice do amor foi desmistificada como puramente científica, me sinto livre pra contar sobre quando estava tentando falar pra uma garota sobre como estava apaixonado por ela. Disse que essas coisas não se explicam porque coração não vem com manual de instruções. E se vier, provavelmente é em inglês ou japonês. Amor como os das comédias românticas hollywoodianas só importando do estrangeiro. Aqui só se vive o bom amor brasileiro, pela vida e seu carnaval de sentimentos, como saído da ruiva cabeça de Rita Lee =D
Postado por Pedro Malta http://mensagemnagarrafa.tumblr.com/


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